Em um mundo cheio de acontecimentos, em que tudo muda a todo instante, e cada vez mais conectados, muitas vezes nos encontramos numa situação em que nossas opiniões divergem diretamente da posição daqueles que estão tão próximos de nós: nossos amigos e familiares.

Isso é algo comum, pois ninguém é igual a ninguém mesmo vivendo sob o mesmo teto ou sob as mesmas regras, o que é bom, porém há vezes em que surgem conflitos. E esse contexto pode se tornar um pouco exaustivo tanto para aqueles que fazem questão de mostrar sua opinião quanto daqueles que são apenas ouvintes.

Questões políticas, ideais, redes sociais, casos polêmicos ou com margem a interpretação são os tipos de assuntos capazes de gerar discussões até mesmo com aqueles tipos de relações entre pessoas que podem ser caracterizadas como relações harmoniosas. Uma vez que opiniões opostas são postas na mesa, não há mais vez, uma discussão precisa ser executada e pontos de vista colocados.

Deve-se observar que a discussão é algo saudável que estimula a exploração de diferentes conceitos e, ao contrário do que se imagina, propicia o entendimento quando são respeitados ambos os lados. E para isso essa palavrinha, o respeito, torna-se imprescindível nesse processo.

E quando isso não ocorre vemos amigos saindo de grupos ou bloqueando uns aos outros nas redes sociais, amigos que passam a evitar encontros entre si e abstendo-se de conversas no intuito de não gerar discussões que migrem para o estresse, gerando um forte abalo na relação de amizade.

Não há dúvida que política, principalmente às vésperas de eleições, e casos polêmicos são um teste à amizade, mas por precaução seria interessante não se por à prova para não gerar conflitos desnecessários.

As vezes uma discussão é tão acalorada que não conseguimos escapar dela: comentários são escritos nas redes sociais, replicados e vão se espalhando, até que alguém que está do seu lado acaba conversando sobre tal assunto com você ou seus familiares e até colegas estão expressando suas posições em ambiente de trabalho.

O que precisamos entender em contextos como esse é que:

  • é normal termos amigos com posições opostas sobre mesmos assuntos;
  • precisamos escutar um pouco mais do outro;
  • respeitar opiniões acima de tudo;
  • saber diferenciar discussões saudáveis de discussões prejudiciais;
  • não tentar fugir nem tentar se sobrepor ao outro;
  • e lembrar que num mundo ideal nem todos pensam igual, e que isso é absolutamente necessário
  • para não cairmos na mesmice ou cometer erros horrendos;

Devemos considerar também que o fato de nenhum pensamento ser inflexível não significa que devemos nos curvar a ideias alheias em algum momento, e que uma posição tomada não implica diretamente numa ação tomada: um ideal é apenas um ideal, que embora baseado em argumentos válidos e inicialmente justificados, não implica nessas ações sem que nos tornemos agentes ativos desse ideal. Ou seja, ter uma posição não te torna um militante provedor ou atuante dessa posição. É apenas uma opinião, na maioria das vezes sem maiores compromissos, e não vale perder uma amizade, por exemplo, ou algumas semanas de cara fechada com alguém.

Nesses tempos de conexão 24 horas em que vivemos a intolerância parece ganhar espaço: muitos se sentem livres para dizer o que querem e nesse processo não se importam em ofender alguém em específico ou alguns grupos, como se a internet fosse terra de ninguém, e quando percebemos que escrevemos besteira pode já ser tarde demais, pois conteúdos polêmicos e exagerados tem o poder de se espalhar mais rapidamente que fatos verdadeiros e coerentes com a realidade.

A opinião é algo que precisa ser expressa continuamente, pois está relacionada ao modo como vemos e interpretamos nossas relações cotidianas e o modo como interagimos uns com os outros na sociedade, e não devemos reprimi-las jamais.

Não necessariamente é preciso chegar a um consenso, afinal a opinião é sua e de ninguém mais, mas sempre podemos conversar e explorar ideias novas.

Portanto podemos concluir que o diálogo deve ser mantido, juntamente com a tolerância, e que não se pode escapar de uma discussão, apenas entender e respeitar a opinião alheia, sem comprometer jamais os laços de amizade e coleguismo que constituem nossas relações sociais, mesmo num mundo repleto de polaridades sobre os mais variados assuntos que compõem a vida do homem moderno.

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